Pesquisa em arquivos digitais

Do artigo do Jardel Dias Cavalcanti no Digestivo Cultural (meio lugar-comum em algumas afirmações, mas com boa epígrafe do Proudhon e o parágrafo que destaco a seguir),

A mídia impressa vai perdendo rapidamente seus consumidores. Ninguém mais quer recortar e guardar notícias de jornais se pode tê-la no arquivo do próprio jornal virtual ou num CD ou pendrive. Ninguém mais quer pagar por uma notícia que pode ter de graça, abundantemente, no mundo virtual.

Que ninguém mais queira pagar, concordo em absoluto. Mas será mesmo que ninguém mais quer recortar e guardar notícias? Será que com a internet o jornal não vira um fetiche de colecionador? No meu caso, é assim. Mantenho empoeirado o meu arquivo de recortes.

E mais importante: como será o estudo de arquivos pessoais daqui pra frente? Se o arquivo de recortes do Capanema, p. ex., fosse todo virtual, já teríamos perdido uma pá de sites que ele eventualmente poderia ter indicado com bons artigos e assuntos para discussão. Não tanto pela pesquisa em si, que é sempre retrospecta, mas sobretudo pela confecção e produção de arquivos pessoais – a famosa “curadoria” -, a imaterialidade dos suportes nos faz pensar que a história também será revolucionada. Que o diga a tendência recente de blogs construídos a partir de clippings de navegação, ou das chamadas ferramentas de scrapping, que têm sido bastante úteis a pesquisadores… Acho que vou imprimir e guardar o texto do Jardel, por via das dúvidas.